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sábado, 15 de setembro de 2018

XUTOS E PONTAPES NA FEIRA DE SÃO MATUES

Os Xutos e Pontapés vão estar pelas 22 horas na Feira de São Mateus, sendo o custo do bilhte de 7.50 euros.

Os Xutos são uma instituição. Há o fado, o futebol e Fátima, e depois há os Xutos (enrolando joints com a mortalha da Amália, tomando banho na aguardente de Eusébio, jogando a dinheiro com os três pastorinhos). Os Xutos são como nós, gente comum, tão portugueses como as sardinhas no pão. Quem nunca cruzou os braços em X e não sabe cantar “Para Ti Maria”, traiu a sua pátria.

Tudo começou em 1978, com os punks Zé Pedro e Zé Leonel a quererem ser os Clash da Encarnação. Zé Pedro era apenas o bom rebelde, com um alfinete-de-dama a aconchegar o sorriso aberto. Já Zé Leonel, com as suas orelhas pintadas de verde, era avariado antes do punk existir. Não faziam mal a uma mosca, mas quem nesse tempo se cruzasse com eles no passeio depressa mudaria para o outro lado da rua.

Zé Pedro tocava guitarra (se é que se podia chamar tocar àqueles três acordes enferrujados). Zé Leonel era a voz e o desvario. Faltava agora recrutar os demais. Para a bateria foram buscar um beto resmungão do Restelo, um tal de Kalú, importado do Porto. Para o baixo, arrolaram um tipo de Almada, estudante de Agronomia, um tal de Tim. Os Xutos já não eram apenas uma fantasia sonhada no café Vá-Vá ou na cervejaria Trindade. Eram agora de carne e osso, tão palpáveis como a cara esburacada de Zé Pedro. Em 1979, dão o primeiro concerto nos Alunos de Apolo. À boa maneira punk, tocam quatro temas em seis minutos. A vida malvada acabava de estrear.

1981 é um ano de mudanças. Zé Leonel começa a faltar aos ensaios, obrigando o desgraçado do baixista a substitui-lo na voz. O desleixo persistiu até que não restou outra alternativa senão dar um chuto e um pontapé no carismático fundador. A contragosto, Tim torna-se também o vocalista. Por outro lado, a guitarra de Zé Pedro era demasiado lacónica para o som que buscavam. É então que Francis entra para a guitarra-solo. Estavam, por fim, prontos a gravar.

A vida discográfica dos Xutos começou como a vida sempre começa: com “Sémen”. Em 1981, o lobo António Sérgio aposta no single para a independente Rotação. A canção é enorme, com um sentido pop irrepreensível, mas a sua semântica peganhenta é censurada pelas rádios. “Sémen” não vai a lado nenhum mas fecunda o primeiro longa duração- o apunkalhado 78/82. As suas guitarras ásperas assustam muita gente. Os Xutos são então vistos como uma fauna perigosa. As referências ao incesto e à heroína não ajudam, para não falar da blasfémia de “Avé Maria“. Os rebeldes dos subúrbios babam-se, os meninos dos Salesianos benzem-se. Como se não bastasse, o disco chega em contraciclo: a explosão do rock português havia desvanecido. Apesar das boas críticas, 78/82 vende pouco. O azar persegue: a Rotação abre falência.

Francis era um excelente guitarrista, mas nunca foi Xutos de alma e coração. Nunca comungou da ética de rua e combate dos demais. Foi, portanto, sem surpresa que acaba por sair da banda em 1984. É então que o mágico João Cabeleira entra em cena. Tímido, sovina nas palavras, engrandece quando começa a tocar: um virtuoso, com um estilo muito próprio, cheio de imaginação. O primeiro registo com o mago é “Remar, Remar”, publicado no mesmo ano pela Fundação Atlântica. Este single é, talvez, o melhor tema dos Xutos, um hino à resistência num país claustrofóbico que frustra “todas as tuas explosões”. O lado B é também encantador, a nublada “Longa se Torna a Espera”. Mas uma qualquer maldição deve ter sido rogada sobre as editoras independentes que os apoiam. A Fundação Atlântica submerge no seu auge.

Os Xutos estão de novo órfãos, sem editora. Enviam maquetes para a Valentim de Carvalho mas a major prefere não arriscar. Viram-se então para a sua segunda casa: o emblemático Rock Rendez Vous. Primeiro, através da colectânea Ao Vivo no Rock Rendez Vous em 1984 (onde assomam “Esquadrão da Morte” e “1º de Agosto”). Depois, através de um segundo longa-duração, o mítico Cerco, publicado em 1985 já com Gui na tripulação.

Os Xutos contam agora com dois pintores: a guitarra irrequieta de Cabeleira e o saxofone expressivo de Gui. Com os cinco magníficos finalmente reunidos, só poderia germinar um enorme disco, onde “Homem do Leme”, “Conta-me Histórias”, “Barcos Gregos” e “Sexo” têm de se digladiar pela disputa do pódio. O som é roufenho, como se tivesse sido gravado num leitor de cassetes do ZX Spectrum; o que só abrilhanta ainda mais a sua aura de disco de raiva e resistência.

Ignorados pela indústria, não restava outra alternativa aos Xutos senão desdobrar-se em concertos, onde quer que fosse, por qualquer vintém. Cada concerto era um combate, uma trincheira de público a conquistar com sangue e suor. Nas noites de 31 de Julho e 1 de Agosto de 1986, dão-se os lendários concertos no Rock Rendez Vous. Os espectáculos são gravados, captando os Xutos no auge da sua fase de culto, a taça da popularidade prestes a transbordar. Mas só catorze anos depois é que 1º de Agosto no Rock Rendez Vous vê a luz do dia. Felizmente, 1986 é um ponto de viragem no mercado nacional: a indústria voltando a investir no rock português. Numa dessas mágicas noites, os Xutos assinam pela major Polygram. Suspiro de alívio. Depois de tantos anos de luta, a travessia no deserto chegara ao fim.

Em 1987, Circo de Feras sai para a rua e é disco de ouro. Os Xutos estão oficialmente na primeira divisão do rock nacional. “Não Sou o único”, “Vida Malvada” e “N’América” são hinos que sabemos de cor. É o álbum operário dos Xutos, uma espécie de Bruce Springsteen com pastéis de bacalhau. Nele assomam sons fabris: o ascensor de “Contentores” e o martelar na bigorna em “Desemprego”. Um disco brilhante que nos ensopa a alma em ferro e óleo.

Em 88, os Xutos sobem ainda mais a parada, naquele que é o pico da sua imaginação melódica. “Para Ti, Maria”, “À Minha Maneira” e “A Minha Casinha” são apenas a ponta do iceberg de um disco perfeito. É um álbum de uma alegria transbordante e contagiosa. Depressa chega a disco de platina. Oferece-se a discografia completa dos Xutos a quem encontrar uma sequência de acordes mais bonita da que a de “Prisão em Si”.

Para divulgar 88, os Xutos fazem a maior digressão que Portugal conhecera até então. Depois de dezenas de concertos por todo o país, a tournée encerra no Pavilhão dos Belenenses, com três noites lotadas na véspera de Agosto. Os espectáculos foram gravados para o triplo-álbum Ao Vivo, publicado ainda em Novembro. Vinte e oito gemas retratam os Xutos no pico absoluto da sua carreira. De novo, disco de platina, seguindo o modelo dos Clash com Sandinista: a banda aceita receber menos para que o disco triplo custe aos fãs o mesmo que um disco normal. Os Xutos têm Portugal a seus pés.

Em 1989, apareceu mais um grande single nos escaparates: “Se Me Amas” no lado A, “Submissão” no lado B; dois clássicos bem conhecidos dos concertos mas gravados agora pela primeira vez em estúdio. Os anos 80 não podiam ter acabado de melhor forma.

Já o virar da década deu azar. Gritos Mudos é o primeiro passo em falso dos Xutos, mal recebido pelo público e pela crítica. O problema não é a sua produção limpa (já 88 a tinha sem atrapalhar ninguém) nem a sua escuridão (já o Cerco era sombrio sem mal algum vir ao mundo). O revés é de outra ordem: menos inspiração melódica, menos canções memoráveis. Se exceptuarmos a belíssima canção-título (e talvez a surf music de “El Tatu”), poucos são os temas realmente dignos de figurar no cânone dos Xutos. Não é um mau disco; mas também não é muito bom.

Mergulhados em dívidas, e com problemas de management, os Xutos entram em crise interna. Gui abandona a banda, e os demais deixam os Xutos em banho-maria, enveredando por projectos paralelos. Tim integra a Resistência; Zé Pedro e Kalú juntam-se ao Palma’s Gang e abrem o Johnny Guitar (a tentativa possível de substituir o defunto Rock Rendez Vous). Com a saída de Gui, chega ao fim a fase clássica dos Xutos, de longe a mais inspirada. Um percurso criativo quase perfeito.

1991 é um ano de ressaca, de desnorte, de rumo indefinido. Especulava-se que a banda ia acabar, e não deixa de ser irónico ter havido essa possibilidade, o fim da maior banda de rock nacional de todos os tempos, exactamente numa altura em que a música cantada em português, puxada pelo enorme sucesso da Resistência, estava finalmente nos ouvidos do grande público. Ainda assim, temos de destacar o lançamento da biografia “Conta-me Histórias”, de Ana Cristina Ferrão, ainda hoje a “bíblia” fundamental para entender a história dos primeiros anos da banda. Para quando uma urgente actualização e reedição?

Em 92, dá-se o pontapé na crise, da forma como os Xutos sempre haviam feito, a trabalhar. Entram em estúdio com a ideia de fazer um álbum duplo, um statement. Acabam por ceder à pretensão da editora e concentrar-se num de cada vez, com a edição, perto do final do ano, de Dizer Não de Vez.

Em formato quarteto, o disco é a casa de “Ai a minha vida” e, sobretudo, de “Chuva Dissolvente“, single enorme que conquista novos fãs e lembra aos mais antigos que ainda havia ali vida, e coisas para dar ao mundo. A prova veio das vendas bastante apreciáveis de Dizer Não de Vez e, sobretudo, da sua actuação no Festival Portugal ao Vivo, em 1993, uma celebração da música portuguesa eléctrica. Os Xutos em palco são como animais à solta, e dominaram o evento, reclamando aí a sua coroa. Uma das muitas actuações que ficaram para a História. Ainda nesse ano é editado Direito ao Deserto, a tal segunda metade do programado disco duplo.

Em 1994, um evento simbólico e emocional. Kalú jogou em casa quando os Xutos comemoram 15 anos enquanto banda, no Coliseu do Porto. Para além do agora quarteto, três convidados muito especiais desta família especial: Gui, Francis e Zé Leonel. O ano é passado na estrada, cimentando tijolo a tijolo aquilo que é a grande força da banda, a união que, em palco, consegue ter com os fãs, novos e velhos.

Um ano depois, novo marco na carreira da banda, e um que conquistaria muitos novos ouvintes. Inspirado no modelo do MTV Unplugged, a Antena 3 convida os Xutos para um concerto acústico. O sucesso foi tal, assente na força das músicas mesmo assim mais calmas e despidas, que deu origem a Ao Vivo na Antena 3, que nem estava planeado. Sai bem em cima do Natal e explode nas tabelas de vendas. Seguiu-se uma digressão nesse formato acústico, mais uma vez bem sucedida. O ano de 96 não fecha sem que a Blitz tenha praticado um acto de manifesta justiça: na primeira cerimónia dos Prémios Blitz, entrega o Prémio Carreira aos Xutos & Pontapés. Quem mais?

Terminado o contrato com a Polygram, é hora de encontrar nova casa, desta feita a EMI, por quem lançam Dados Viciados, em 1997. O evento comemora-se, naturalmente, na estrada, com uma digressão dedicada à promoção do disco mas que conta, obviamente, com muitos dos sucessos do passado. Este é, aliás, o modus operandi desses anos e que, de certa forma, dura até hoje. Discos sempre de qualidade média/alta mas sem ombrear com os da década de 80, que sustentam uma digressão com energia e material renovado e que vão pingando, aqui e ali, novos singles que se tornam sucessos de palco.

Em 1999, a banda atinge um número de que muito poucas se podem orgulhar: os 20 anos de carreira. O ano é de celebração, com a edição do disco XX anos XX Bandas, no qual 20 grupos nacionais dão o seu cunho ao cancioneiro já histórico dos Xutos. O ponto alto é a festa num esgotado Pavilhão Atlântico. Ainda em 99, o sempre irrequieto e multifacetado Tim estreia-se a solo, com o disco Olhos Meus.

Em 2000 não há disco novo, mas há disco! E que disco! É finalmente editado 1º de Agosto no Rock Rendez Vous, gravado em 1986 mas nunca editado. Continua a ser uma extraordinária amostra do poder dos Xutos dos primeiros anos. No ano seguinte, novo álbum de originais, XXI, e concertos atrás de concertos, atingindo a marca de 600 mil espectadores só em 2001.

Segue-se algo que se tem tornado habitual, não só nos Xutos mas em todas as bandas grandes que trazem tanta História às costas: a edição de registos ao vivo, como são exemplos Sei Onde tu Estás e o acústico Nesta Cidade, bem como o muito bem sucedido DVD Ao Vivo no Pavilhão Atlântico.

Há muito que os Xutos são uma instituição, mas o país reconhece-o oficialmente em 2004, quando os rapazes comemoram 25 anos de carreira: o Presidente da República, Jorge Sampaio, condecora os Xutos com a Ordem do Infante D. Henrique. Ainda nesse ano, regresso aos discos de originais, com o bem conseguido O Mundo ao Contrário. O Pavilhão Atlântico esgota duas noites para a festa de aniversário.

Em 2007, a tragédia atinge o núcleo duro da banda, com a morte súbita de Marta Ferreira, irmã de Kalú e manager dos Xutos na última década. É um tempo de consternação e de profundo pesar, e a resposta só podia ser uma, voltar à estrada. Um dos destaques é a celebração dos 20 anos de Circo de Feras, que dá origem a três concertos únicos e esgotados no Campo Pequeno, em Lisboa. No ano seguinte houve tempo para voltar de novo ao passado e “regravar” Cerco, disco mítico mas cujo som sempre deixara a banda insatisfeita (sem razão, dizemos nós). O Cerco Continua, versão revista e aumentada, é finalmente editado em 2012.

Os 30 anos são atingidos em 2009, sendo o ponto mais alto o grande concerto no Estádio do Restelo, com convidados como Camané, entre outros. Simbolicamente, é reeditado o fabuloso Xutos ao Vivo, de 88, e os rapazes arrancam mais um disco de originais, chamado simplesmente Xutos & Pontapés, que se revela um sucesso de vendas. Zé Pedro, que se vinha debatendo com problemas de saúde depois de anos de abusos, é obrigado finalmente a parar em 2011. Mas a digressão continua, com o seu roadie Tó Zé no seu lugar. Depois do delicado transplante de fígado, regressa como um herói no palco principal do então Optimus Alive. É também a ocasião para o eterno guitarrista dos Xutos lançar o seu “álbum a solo”, chamado Convidado, na prática uma compilação de colaborações que foi fazendo ao longo dos anos em discos de amigos como Paulo Gonzo, Jorge Palma e Sérgio Godinho. Em 2012 é a vez de Kalú se estrear a solo, com Comunicação.

Com os 35 anos a aproximar-se, no ano seguinte, os Xutos aproveitam 2013 para preparar novo disco de originais, e até agora o seu último, Puro, que seria editado em 2014, ano de tão especial aniversário. A festa é mais uma vez no então Meo Arena (agora Altice Arena) com 30 mil pessoas em duas datas esgotadas e históricas.

A história recente dos Xutos tem-se feito assim, de muitas digressões, concertos cheios (são obrigatórios e brutalmente eficazes no palco principal do Rock in Rio Lisboa, desde a primeira hora), novas músicas e um tratamento adequado do passado que orgulhosamente podem ostentar, seja através de discos ao vivo ou de reedições mais cuidadas.

O grande ponto de interrogação na vida da banda chega em 2017, devido à deterioração da saúde de Zé Pedro. O grupo chegou a não saber se este estaria em condições para o grande e comovente concerto no Coliseu dos Recreios, no qual uma plateia emocionada mimou e amou como sempre e como nunca este verdadeiro herói do rock português.

Como sempre fizeram na cara do perigo, os Xutos avançam com vontade de ferro, cerrando os dentes, agarrando-se uns aos outros, aos seus fãs e à História que juntos construíram. Zé Pedro luta pelo restabelecimento com a garra de um garoto que, no longínquo ano de 78, decidiu fazer uma banda, que se tornaria a maior instituição do rock nacional de todos os tempos. Há até um disco novo em preparação, uma espécie de ousado bluff  quando o futuro é tão incerto.


Não importa. Agora, como sempre, os Xutos fazem as coisas “à sua maneira”, e nós só temos de estar gratos. Por serem quem são, pelos milhões de espectadores satisfeitos, por termos crescido com eles e com o rock feito e cantado em português, por nos terem dado ao longo de mais de 30 anos a banda sonora das nossas vidas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

VISITANTE 1 MILHÃO DA FEIRA DE SÃO MATEUS FOI COROADA



Sónia Sanches, natural do Sabugal, foi surpreendida com uma receção em grande na Porta de São Mateus. Visitante 1 Milhão ganha um passe geral para 2019 e poder de escolha de um artista para o próximo ano.

A Feira de São Mateus atingiu, ontem, o número mágico de 1 milhão de visitantes. Por volta das 19H30, foi Sónia Sanches a felizarda visitante que, ao entrar pela Porta de São Mateus, foi eleita “Visitante 1 Milhão”.

Natural da cidade de Sabugal, Sónia Sanches veio feirar pela primeira vez este ano e foi surpreendida pelo Gestor da Feira, Jorge Sobrado, pela equipa da Viseu Marca e da FSM TV e por vários jornalistas, que, com grande expetativa, aguardavam a sua chegada.

A visitante foi o centro das atenções e teve, durante toda a noite, “livre-trânsito” nas áreas de gastronomia e diversões da Feira. Apesar de vir feirar todos os anos, a laureada confessou que “não estava à espera desta surpresa”.

Após a celebração inicial e a leitura do estatuto da nova embaixadora da Feira de São Mateus, acompanhados pela imposição da faixa “1 Milhão” e respetiva credencial, Sónia Sanches e o seu grupo de amigos jantaram no novo bairro da restauração, passearam pelo recinto e deliciaram-se com as tradicionais farturas.

Antes do concerto de Ricardo Azevedo, a “Visitante 1 Milhão” subiu ao Palco Santander para a coroação oficial, entrega do passe geral de 2019 e para uma nova leitura dos seus direitos e deveres enquanto embaixadora do certame.

A visitante poderá, também, escolher, em conjunto com a Viseu Marca, um artista para atuar na edição do próximo ano.

Sónia Sanches felicitou a iniciativa e agradeceu o momento proporcionado pela Viseu Marca, naquela que deverá ser, segundo Jorge Sobrado, uma “nova tradição” da Feira de São Mateus, tornando-a “mais humana” e trazendo os rostos dos seus visitantes para a linha da frente.
V

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Inscrições abertas para o “Espaço do Infante” na Feira de São Mateus

Projeto educativo para a sustentabilidade ambiental é destinado a crianças entre os 6 e os 12 anos

Em 2018, a Feira de São Mateus acolhe um projeto educativo desenvolvido em parceria com o Oceanário de Lisboa, que visa promover a sustentabilidade ambiental e a proteção dos oceanos na sua diversidade.

Localizado no Museu da Eletricidade, dentro da Feira, o projeto assenta numa exposição didática onde o Infante D. Henrique guia os mais novos pela história dos oceanos e dos mares nacionais, destacando questões ambientais relacionadas com o consumo insustentável de recursos naturais e o papel do plástico na poluição, assim como a consequente destruição dos oceanos.

A visita conta, ainda, com algumas atividades lúdicas e pedagógicas que pretendem despertar a atenção de crianças e jovens para os problemas relacionados com a poluição atmosférica e a adoção de comportamentos de consumo sustentável de recursos naturais, promovendo a redução de plástico nos oceanos e a poupança de água.

As crianças entre os 6 e os 12 anos poderão visitar gratuitamente o “Espaço do Infante” mediante inscrição prévia em www.feirasaomateus.pt.

As visitas à exposição decorrem todos os dias, de 9 de agosto a 16 de setembro, entre as 15 e as 20 Horas, têm a duração de 30 minutos e a lotação máxima de 20 participantes por sessão. Todas as visitas serão acompanhada e guiadas por um monitor especializado.

A organização ressalva que, ainda que a visita ao “Espaço do Infante” seja gratuita, a entrada no recinto da Feira de São Mateus pressupõe a apresentação do respetivo bilhete nos dias de entrada paga. Sublinha, ainda, que 23 dos 39 dias de Feira são de entrada gratuita.

O “Espaço do Infante” é um projeto desenvolvido em parceria com a Viseu Marca, a Águas de Viseu e o Oceanário de Lisboa, com lugar no Museu da Eletricidade.

A Feira de São Mateus decorre entre 9 de agosto e 16 de setembro. Os bilhetes para todos os dias de entrada paga já estão disponíveis online, em www.feirasaomateus.pt, e na rede de lojas associadas da Blueticket (Fnac, Worten, Media Markt, ACP, El Corte Inglés e Pagaqui).

A Feira de São Mateus é uma iniciativa do Município de Viseu, com organização executiva da VISEU MARCA. Tem como patrocinadores oficiais o Santander, Super Bock, Altice, Jornal do Centro, Cabriz, Coca-Cola, Delta, Galp, Fnac, Turismo Centro de Portugal, JS Clínica e Litocar.


Toda a programação está disponível em www.feirasaomateus.pt e nas redes sociais da Feira.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Anselmo Ralph na feira de São Mateus

Anselmo Ralph  vai estar pelas 22 horas no palco da feira de São Mateus, sendo o bilhete 5 euros. 

Anselmo nasceu em 12 de março de 1981 em Luanda (Angola), onde fez os estudos primários.

 Mais tarde, Anselmo foi para Nova York para terminar seu curso de contabilidade em Manhattan Community College. Hoje em dia, Anselmo é um cantor angolano RB, soul, kizomba.

Nos anos 1990 mudou se para Portugal onde viveu perto da cidade de Setúbal numa freguesia perto de Palmela (Aires). 

Mudou-se depois para Madrid (Espanha) onde viveu alguns anos e onde se tornou um grande admirador do cantor dominicano Juan Luis Guerra. Isto teve muita influência na carreira futura de Anselmo Ralph como músico.

Em janeiro de 2006 lançou o seu primeiro álbum intitulado "Histórias de Amor", produzido por Aires (Aires no Beat) e pela Produtora Bom Som (propriedade do próprio artista e do seu agente Camilo Travassos). O disco é dominado pelo género de música R&B e teve um sucesso imediato. Ainda nesse ano foi nomeado "Melhor Cantor de R&B" pela cadeia televisiva "O Channel", da África do Sul, e no "MTV Europe Music Awards 2006" recebeu o prémio na categoria de "Melhor Artista Africano".

No dia 14 de fevereiro 2007 foi lançado o álbum "As Últimas Histórias de Amor" que rapidamente se tornou um grande sucesso nacional e internacional. Com este segundo trabalho recebeu o prémio de "Melhor Voz Masculina" e o prémio do "Top Rádio Luanda" como o músico mais votado desse ano.
Em 2008 assinou com a produtora LS Produções para um contrato de três álbuns. Este foi um ano em que o artista fez muitos shows em Angola e também no estrangeiro:Portugal, Holanda, Inglaterra, Moçambique, África do Sul, São Tomé e Príncipe, Brasil e Namíbia.


Em 2009, novamente no dia 14 de fevereiro, lançou o álbum "O Cupido" (Duplo CD e DVD) que vendeu 40.000 cópias ao fim de apenas quatro meses. No mês de Julho foi produzido um Mega Show de 2 dias no Pavilhão da Cidadela com lotação esgotada nos dois espectáculos e cerca de 42.000 pessoas presentes.

Em 2011 lança um Maxi Single, antecessor do próximo álbum "A Dor Do Cupido", que em apenas dois dias vendeu 42 mil cópias. Nos três meses seguintes atingiria a venda de 90 mil copias. Realizou mais de 50 shows nesse período.

O disco "Best of Anselmo Ralph – Live" entra para 5º lugar do top português em finais de 2012. "Não Me Toca" torna-se um grande sucesso com a sua utilização num programa de dança da TVI, Dança com as Estrelas.

Em 2013 lançou o álbum "A Dor Do Cupido". Colabora também com o português Paulo Gonzo no tema "Ela É".

Em Fevereiro de 2014, actuou na festa de aniversário de Cristiano Ronaldo.
Vai estrear-se como actor no Filme "A Dor Do Cupido" onde será o autor e a personagem principal. Também quer gravar um disco em inglês e algumas canções em espanhol.




quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Minhotos Marotos na feira de São Mateus


Pelas 22 horas sobe a palco os MInhotos Marotos sendo a entrada gratuita.

Nascida a 9 de Julho de 1991, iniciou muito precocemente a sua carreira artística.

Com apenas 8 anos começou a aprender a tocar concertina, um ano depois, envolveu-se no mundo das cantigas ao desafio.
Em 2001 pertenceu a um grupo familiar, designado “Amigos de Guimarães” com os quais partilhou momentos de grande alegria e festividade. Em 2005, fez parceria no duo “Tiago & Cláudia”, experiência que a enriqueceu em termos pessoais e profissionais. Nesta altura começou a escrever as suas próprias letras, brincando com as palavras e com as melodias.
As comunidades portuguesas têm uma enorme influência na sua carreira profissional, pois desde 2006, passou a ser convidada a mostrar o seu trabalho, um pouco por todo o mundo.

Simultaneamente tem percorrido o país de lés a lés atuando em eventos diversos como Feira de S. Mateus, arraiais, festas académicas e apresentações na tv e rádio.


No entanto, sentiu que devia mais aos seus fãs e optou por criar, em 2009, a banda “Minhotos Marotos”, nome selecionado, por um lado, como homenagem à região que a viu nascer e, por outro, dando um duplo sentido às letras que utiliza nas suas canções.

Esta banda foi aumentando progressivamente, sendo que atualmente engloba sete elementos em palco os quais tocam instrumentos vários proporcionando a quem os ouve momentos de boa disposição, alegria e entusiasmo. Este é um tipo de espetáculo muito procurado por quem gosta de dançar e ouvir cantigas “marotas” de improviso. ~


No ano de 2009 lançou o seu primeiro álbum intitulado “Minhotos Marotos”, onde se popularizou a música “Marotos”. O álbum de estreia foi um grande sucesso em Portugal e além-fronteiras levando Cláudia Martins a realizar vários espetáculos por todo o mundo.
Desde esta altura, não tem parado, apresenta anualmente um álbum com originais entre os quais mais conhecidos “Levanta mais a perninha”, “Encaixa a torneira na Pipa”, “Que saudade de emigrante”, “Minho Lindo”, “Senhora de Fatima”, “O Segredo dos Marotos”, “Caloira do Chic Chic”, “Passarinha e Sardão” e “Gala Dela”.
No ano de 2015 foi premiada pelo Blogue D'Ouro, como a mais jovem artista no gênero Popular e em 2016 recebeu o disco D'ouro que tem como título “Faz beicinho”.
Requisitada por inúmeras festas por todo o país e também nas comunidades portuguesas, dentro e fora da Europa, tem já contratadas mais de 5 dezenas de espetáculos no próximo ano.

Em 2017 um acontecimento que marcou a sua vida foi ter cantado para a GNR após uma coima por excesso de velocidade. Desta forma, expôs o vídeo no Facebook que se tornou viral e alcançou cerca de 7 milhões e meio de pessoas. Assim, surgiu ao novo tema “Cantiga à GNR”.


Encontra-se de momento a preparar a nova tour, mantendo as tradicionais desgarradas, e como já é habitual os originais brejeiros e respetivas coreografias, prometendo como sempre, muita marotice, humor e boa disposição.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Os D.A.M.A. vão estar no dia 22 de agosto na feira de São Mateus

Os D.A.M.A. vão estar no dia 22  pelas 22 horas no palco principal da feira de São Mateus sendo o bilhete de 4 euros,

Francisco Pereira e Miguel Coimbra conhecem-se desde os seus seis anos, tendo sido colegas no colégio. Na aula de português começaram a escrever as suas composições em versos. Em 2008 tiveram a ideia de juntarem as suas rimas a um instrumental, nascendo, assim, D.A.M.A, inicialmente composta pelos dois e pela amiga Filipa (Pipa).

O primeiro concerto da banda foi no Colégio de São João de Brito, em Lisboa. Seguiram-se várias atuações em discotecas da capital e do Estoril. Em 2011, a versão da música Popless dos GNR tocou pela primeira vez na rádio.
Em 2011 convidaram o amigo Miguel Cristovinho para compor um tema conjunto, Quer.
Francisco P
ereira estudou direito, Miguel Coimbra e Miguel Cristovinho estudaram Gestão. Com o sucesso da banda largaram tudo para se dedicarem a 100% ao projeto. Cristovinho dedica-se mais à melodia enquanto Kasha à composição das letras e Coimbra à produção.



Em 2013 apresentaram-se ao vivo em dois dos seus primeiros grandes concertos. O primeiro no palco  do MEO sudoeste. O segundo aconteceu nas Festas do Mar em Cascais.

sábado, 18 de agosto de 2018

FADISTA ANA MOURA NA FEIRA DE SÃO MATEUS

Ana Moura vai estar no palco da feira de São Mateus pelas 22 horas sendo o bilhete de 5 euros.
Não há outra voz no fado como a de Ana Moura. Uma voz que se passeia pela tradição livremente, sem deixar de flirtar elegantemente com a música pop, alargando de uma forma muito pessoal o raio de acção da canção de Lisboa. 

Mas aquilo que a distingue é não apenas um timbre grave e sensual como há poucos – Ana Moura transforma instantaneamente em fado qualquer melodia a que encoste a sua voz. É um rastilho imediato, uma explosão emocional disparada sem contemplações ao coração de quem a ouve.

Fausto, José Afonso, Ruy Mingas, música angolana e fado. Era isto que se cantava nos serões da família Moura, em Coruche, era Ana Moura apenas uma catraia – nasceu numa outra localidade ribatejana, Santarém, em 1979 – com gosto pelas cantorias. 

Os pais cantavam, toda a família materna cantava e qualquer motivo de reunião familiar terminava com um festejo sob a forma de música. Embora cantasse de tudo, Ana começava já a sentir que, por alguma razão, tinha um carinho especial pelo fado. Aos seis anos cantava já o seu primeiro fado, “Cavalo Ruço”, enquanto ouvia frequentemente a mãe trautear “O Xaile de Minha Mãe”. Depois, veio a adolescência e deixou o fado adormecido. E despertou para outros tipos de música, mais condizentes com a idade e as amizades liceais.

É com essa curiosidade por outras músicas, em plena adolescência de descobertas e rebeldias, que Ana Moura chega a Carcavelos, com 14 anos, para fazer o 10º ano.



Chega não para cantar, mas para estudar, inscrevendo-se então na Academia dos Amadores de Música. Mas é aos colegas de escola que se junta para a primeira banda. Apesar de cantar outros géneros, a verdade é que, deixada à sua sorte, a voz de Ana rapidamente se cola ao registo fadista e, assim, mesmo com grupos de rock vai conseguindo incluir um ou dois fados no repertório – habitualmente, “Povo que Lavas no Rio”, de Amália, nessa fase a sua referência máxima enquanto intérprete.

A experiência com essa banda de covers, os Sexto Sentido, acaba depois por conduzir ao início de gravações de um disco pop/rock com o músico Luís Oliveira, cujo lançamento fazia parte da agenda da multinacional Universal. O disco, no entanto, não chega a ser terminado. Entra em cena o destino e leva Ana Moura a um bar em Carcavelos onde cede à tentação e canta um fado. 

Presente na sala, o guitarrista António Parreira, de tão impressionado, toma-a pela mão e leva-a a várias casas de fado. Até ao momento em que, numa festa de Natal de músicos e fadistas, Ana Moura é levada ao convívio daqueles que haveriam de habitar as suas noites daí em diante e é convidada a cantar. Desta vez, é Maria da Fé, co-proprietária da prestigiada casa de fados Senhor Vinho, quem não resiste àquele talento em bruto. Aos aplausos, Maria da Fé junta o convite para cantar na sua casa,

É precisamente nesses ambientes nocturnos, do Senhor Vinho mas também das outras casas de fados que começa a frequentar, que se dá a verdadeira escola do seu canto. Antes, Ana Moura cantava o fado porque sim, porque a intuição lhe mandava, porque a boca lhe fugia para ali. Agora, os ensinamentos dos mais experientes – sobretudo Maria da Fé e Jorge Fernando – dão-lhe outros porquês, sem lhe matar a espontaneidade.

A carreira de Ana Moura começa a ganhar um tamanho fôlego que a fadista acaba por abandonar o Senhor Vinho, a fim de poder dar resposta aos muitos convites que vai recebendo para tocar fora do país. Essa falta é mais tarde colmatada pela integração do elenco de uma nova casa de fados, em Alfama, de nome Casa de Linhares – Bacalhau de Molho. A internacionalização leva então Ana Moura a actuar na mítica sala Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Fevereiro de 2005. Do outro lado do mundo, o saxofonista dos Rolling Stones Tim Ries entra na Tower Records de Tóquio à procura de discos de fado. 

Leva já na cabeça a ideia de incluir uma fadista no segundo volume do Rolling Stones Project, um projecto por si liderado que convida gente de outras marés musicais a interpretar temas dos Stones em colaboração com um dos históricos músicos da banda. Compra três CD às escuras, por mero instinto, e foi amor à primeira audição. Para o disco, Ana grava “Brown Sugar” e “No Expectations”.

Ao vivo, interpreta este último com os Stones no Estádio Alvalade XXI. A partir daí, em várias ocasiões, as digressões de Ana Moura e dos Rolling Stones coincidem nos mesmos sítios. Numa delas, em São Francisco, Ries liga para a fadista e mostra-lhe uma música que compôs a pensar na sua voz. “Velho Anjo”, entraria no disco seguinte de Ana Moura, Para Além da Saudade (2007), depois de “afadistado” por um arranjo de Jorge Fernando.


Um dos trunfos de Para Além da Saudade, aliás, seria a rara participação de Fausto num disco alheio. Ana, que crescera a ouvir o autor de Por Este Rio Acima, perdeu a vergonha e pediu-lhe uma composição. Outra das autoras convidadas, desta vez a compor expressamente para si, foi Amélia Muge. A troca com outras culturas ficou então por conta de um dueto com o histórico cantor espanhol Patxi Andión. Tim Ries, além de autor, deixaria também o seu saxofone impresso em dois temas do disco – “Velho Anjo” e “A Sós com a Noite”. Graças ao tema “Os Búzios”, de Jorge Fernando, o sucesso de Para Além da Saudade havia de escalar até níveis inéditos na carreira de Ana Moura, acabando por gozar de dois grandes momentos de consagração em Portugal através da actuação nos Coliseus de Lisboa e do Porto. O álbum trar-lhe-ia ainda o Prémio Amália Rodrigues.