A vereadora da Câmara Municipal de Vouzela e membro da Comissão Política Nacional do Partido Socialista, Catarina Meneses, reagiu ao recente artigo publicado pelo Jornal de Notícias sobre os efeitos do incêndio que atingiu o concelho, numa reflexão em que alerta para a necessidade de uma mudança profunda na política de prevenção e gestão florestal.
Vouzela voltou a estar nas páginas da imprensa nacional pelos piores motivos. O incêndio que atingiu o concelho terá consumido quase 13 mil hectares, naquele que, até ao momento, é apontado como o maior incêndio do ano. Para Catarina Meneses, apesar de o Estado ter reconhecido, através do ministro da Agricultura, os incêndios de Vouzela e Valpaços como catástrofes naturais e de terem sido destinados cerca de 10 milhões de euros à recuperação das áreas afetadas, não é possível reduzir a dimensão da tragédia ao apoio financeiro.
“Não há dinheiro que mitigue uma situação como aquela”, sublinha a autarca, considerando que as populações que vivem nestes territórios têm enfrentado, desde 2017, “verões sucessivos de medo e impotência”.
Na sua perspetiva, a verdadeira solução passaria por garantir que situações desta natureza não voltariam a repetir-se. “Tenho a certeza que todos trocaríamos o dinheiro pela garantia de que este era um cenário que não se voltaria a repetir”, afirma.
A autarca socialista defende, por isso, uma mudança profunda na forma como o território florestal de Vouzela é gerido.
“É urgente trabalhar para que aconteça o que ainda não foi feito”, refere, defendendo particularmente uma “transformação radical da paisagem”.
Na sua opinião, Vouzela deve deixar de ser associada à dimensão e violência do incêndios florestais para passar a constituir um exemplo de recuperação, prevenção eintervenção pública em matéria florestal.
A falta de ordenamento e de intervenção na floresta é apontada como um dos principais problemas estruturais. Catarina Meneses considera que o território de Vouzela constitui “um exemplo claro de tudo o que não deve ser feito nesta matéria”, numa realidade que, segundo a vereadora, exige uma resposta política e técnica mais determinada.

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